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Marcia Ferreira Bento: É preciso se reinventar para estar no mercado de trabalho

Postado em 11/10/2017.

A vida nem sempre nos traz surpresas agradáveis, mas cabe a cada um de nós decidir o que fazer com o que nos é dado, seja ele bom ou mau. Foi esta lição que a Contadora Marcia Ferreira Bento descobriu com o passar dos anos.

Sua vida profissional, que já totaliza 25 anos, teve início ainda na adolescência, aos 16 anos, quando começou a trabalhar em um escritório de Contabilidade. Marcia confessa que este não era o seu sonho dourado de profissão – o que realmente queria era cursar Jornalismo –, mas soube aproveitar a oportunidade que surgiu.

“Quando eu estava no que hoje é conhecido como Ensino Médio, no fim da década de 80, não era apresentado para o aluno noções de como escolher ou investir em uma determinada profissão. Então, como o meu primeiro emprego foi em um escritório de Contabilidade, acabei escolhendo a graduação em Ciências Contábeis”, conta.

Hoje a profissional é bacharelada em Ciências Contábeis e pós-graduada com MBA em Finanças e Controladoria.

Seguindo a tendência de estabilidade no emprego que regeu toda uma era, Marcia trabalhou em apenas duas empresas em toda a sua carreira. Na primeira empresa, um escritório de Contabilidade, atuou durante seis anos - três deles no setor do Departamento Pessoal e os outros três anos no setor da Contabilidade. Na segunda empresa, uma multinacional Suíça, permaneceu por 19 anos, onde, trabalhando na área de Controladoria, acabou executando todas as rotinas das valorizações do estoque da empresa.

Nesta empresa, a profissional conseguiu se superar. “No período da faculdade, a disciplina de Custos sempre me deixava preocupada. Entretanto, quando comecei a trabalhar na empresa multinacional, me determinaram que fosse para "cuidar dos Custos". Com isso, acabei vendo que não era tão complicado. Aprendi que disciplina, dedicação e diálogo, com todos os envolvidos no processo produtivo, principalmente com a área de produção e almoxarifado, eram "chaves" para correr tudo bem. Lá comecei como Analista de Custo e cheguei a ser Coordenadora de Custo. Após 11 anos como responsável na empresa, sai em 2012. Atualmente, na minha busca pela oportunidade de voltar ao mercado, envio os meus dados para Analista, Coordenadora ou Supervisora, mas sempre para a área de Custos”, relata.

Seguindo um sonho

Marcia conta que, quando era criança pensava em ser professora. Mas quando entrou na adolescência, na década de 80, assistindo às movimentações sobre as Diretas Já, pensou em ser jornalista. Por isso, em 2002 voltou à faculdade. “Foi um período muito divertido e até agitado em Jornalismo; participei em vários trabalhos da faculdade como jornal, revista, fotos, rádio, produção de TV, etc. Em 2005, terminei a minha graduação em Comunicação Social apresentando um livro-reportagem sobre fragrâncias (perfumes). Nunca abandonei a minha vida profissional de Contabilidade, estudei Jornalismo pelo sonho de adolescência e, por incrível que apareça, muitas coisas que aprendi na faculdade de Comunicação me auxiliaram no meu cargo de coordenadora na empresa, porque, na época, como eu tinha a responsabilidade Regional do Sistema de Custos, era preciso ministrar cursos para todos os novos usuários da área, com um público formado por argentinos, colombianos e mexicanos. Assim percebi que a Comunicação Social está em todos os lados e em todas as áreas”. 

Sindcont-SP

A Contadora relata que demorou a associar-se ao Sindicato dos Contabilistas de São Paulo – Sindcont-SP. “Quando saí da empresa na qual trabalhava, há cinco anos, comecei a procurar oportunidades de empregos e, algumas pessoas me indicaram sobre as atividades, as informações e as opções do Sindicato. Na época, verifiquei os dados, mas não achei que seriam necessários. Hoje, depois de muito tempo, voltaram a me indicar o Sindicato de novo e vi que as informações de cursos são pertinentes para atualizações que o mercado tem pedido nas vagas que encontro”, explica Márcia.

Superação

Em seu tempo vago, a profissional gosta de praticar atividades físicas, como dança de salão, dança do ventre, e tênis, mesmo tendo sido necessário interromper tais atividades por problemas de saúde.

“Em 2008, eu tive que passar por duas cirurgias por causa de aneurisma na cabeça. Fiz parte de um perfil de paciente que, mesmo sem ter nenhum fator para desenvolver a doença, acabou sendo atingido. Fiquei afastada da empresa cinco meses (três pela licença do INSS e dois pelas férias acumuladas). Depois voltei para a minha vida profissional normalmente, com os meus números e custos. Somente em 2011 o meu médico me autorizou fazer esporte. Entretanto, um hobby que sempre me acompanhou e, sei que acompanhará a minha vida inteira é a leitura. Desde quando aprendi a ler nunca mais parei. Quando saí do hospital perguntei para o neurocirurgião se poderia ler, ele me respondeu que se eu não tivesse tontura ou dor de cabeça eu poderia ler. E foi o eu que fiz, mesmo porque isso me ajudou a recuperar a fala e compreender mais rápido depois das cirurgias.”

Amor de mãe

Marcia conta que o fato de nunca ter se casado não a impediu de desenvolver um amor maternal. A Contadora criou um dos seus sobrinhos como se fosse seu próprio filho, após o falecimento de sua cunhada por conta de um AVC. Como seu irmão não tinha estrutura para cuidar de uma criança, a profissional o acolheu e criou, com a ajuda da sua mãe, avó da criança. Hoje o jovem já é casado e tem uma filha de três anos. “Sou tia-avó”, celebra Marcia.

Futuros Contadores

Para os alunos e recém-formados em Ciências Contábeis, a profissional dá algumas dicas: “Primeiro, nunca deixem de estudar, sempre se atualizem e busquem assuntos envolvidos na área. Uma das dificuldades que tenho encontrado para voltar ao mercado é pelo fato da formação acadêmica. Na década de 90, quanto entrei na empresa multinacional, o que me pediramfoi somente a graduação; hoje, mais de 20 anos depois, o mercado me pede pós-graduação. Devido à pressão, voltei a estudar, a me atualizar e até a relembrar conceitos para fazer parte do "item do perfil da vaga". Segundo, quando vocês começarem a trabalhar e executar somente uma atividade, sejam eticamente curiosos, perguntem aos colegas de trabalho sobre as outras atividades e rotinas; mais uma vez, o mercado quer pessoas que conheçam e possam executar várias tarefas. No passado, na área de Contabilidade existiam pessoas dedicadas para cuidar somente do Ativo Fixo, ou somente do Custo, ou somente do Orçamento. Hoje tenho visto vagas para que uma única pessoa faça todas as atividades. Também já vi até candidatos de Custos que tenham que emitir nota fiscal e apurar impostos. A minha última dica é com relação aos idiomas. Conhecer outra língua não é somente para a parte profissional, essa ferramenta te permite conhecer outros mundos, conceitos, culturas e pessoas e, sem dúvida isso faz uma diferença muito grande em sua vida”. 

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Texto: Katherine Coutinho
Fotos: Arquivo pessoal
Edição: Lenilde De León

De León Comunicações