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Marta Pelúcio: O pior preconceito é o que passa despercebido

Postado em 07/03/2018.

 

Não é fácil ser mulher, especialmente no mercado de trabalho. Mesmo que o preconceito não seja algo calculado por quem o pratica, está tão inserido na nossa cultura que frequentemente é preciso lidar com situações constrangedoras. Com décadas de experiência na Contabilidade, a vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade - Anefac em São Paulo, Marta Pelúcio, já viveu essa realidade de perto.

“O pior preconceito existe quando atitudes preconceituosas não são enxergadas por quem as exerce, o preconceito despercebido. O Brasil é uma sociedade machista. Temos preconceito em casa, na família, entre amigos, no trabalho, na universidade, no trânsito, enfim, por todos os lados”, salienta.

A dica da profissional para as mulheres que estão ingressando no mercado de trabalho é: sejam donas de seus destinos. “Não trabalhe em um lugar em que exista o preconceito, não vale a pena. Busque um companheiro que de fato dê valor a profissional que você é e que te apoie, dividindo as tarefas domiciliares para que vocês dois tenham a mesma oportunidade no mercado de trabalho. Se atualize sempre. Participe de órgão de classe e associações, mas não somente em grupos de mulher, participe com sua especialidade profissional nos grupos com igualdade com os homens. Sou vice-presidente na Anefac e nunca quis participar de nada do tipo Anefac-Mulher, porque estou lá para compartilhar conhecimento contábil e tenho condições de discutir contabilidade internacional de igual para igual com qualquer homem, na verdade muito melhor que a maioria dos homens. Porque é minha especialidade e me atualizo nisso todos os dias”, destaca Marta.

Doutora em Administração de Empresas pelo Mackenzie com estágio doutoral na Universidad de Salamanca (Espanha), com mestrado e graduação em Ciências Contábeis pela FEA-USP, a profissional sabe a importância de se manter atualizada para fazer bem o seu trabalho, o que é um dos grandes desafios da profissão contábil.

“Vivemos em um mundo de constantes mudanças. Conforme Zygmunt Bauman, no livro Modernidade Líquida, ‘a sociedade atual é uma sociedade líquida, em contraposição à sociedade sólida que existia’. Antes, as pessoas casavam, era para toda vida, as pessoas passavam a vida inteira na mesma empresa e isso era sinal de um bom profissional, a Contabilidade brasileira passou 30 anos sem alterações significativas (de 1978 a 2017). Hoje, meus amigos já estão no segundo e terceiro casamento, uma pessoa que fica muito tempo em uma empresa é acomodado, preguiçoso, não busca nada e a Contabilidade? Esta muda o tempo todo. Meus alunos costumam questionar como irão acompanhar a profissão se as normas ficam mudando. Então, respondo: a vida agora é assim. Você precisa ter educação constante, estudar sempre. Esse é o grande desafio, ser dinâmico e estar atento a todas as mudanças. Existem várias formas de manter atualizado: por meio da leitura; por meio das instituições de ensino (fazendo cursos de especializações e cursos de curta duração); por meio do networking (participando de associações como a Anefac que proporciona o networking e a troca de experiências). Nenhuma forma é melhor que a outra, é preciso conjugar todas.”

Experiências

Em todas as empresas que trabalhou, a Contadora buscou agregar conhecimento. Para ela, toda experiência traz amadurecimento, quer seja por coisas ruins. Marta conta que foi rebaixada de cargo em uma empresa na qual trabalhou, quando nasceu seu primeiro filho (mais uma situação envolvendo preconceito). Em função desse ocorrido, criou sua própria empresa, o que considera a melhor decisão da sua vida. Em parceria com sua sócia, Cecília, Marta teve que aprender a liderar, a lidar com momentos de crise, a lidar com momentos em que tudo está indo muito bem, mas você precisa tomar as decisões certas sobre investimentos, a lidar com funcionários e clientes. Assim, considera a sua empresa como o local onde mais cresceu profissionalmente.

Escolha

A escolha pela Contabilidade como área de atuação ocorreu na época do vestibular, quando Marta ainda estava no cursinho. Na época, a então estudante participou de uma série de palestras sobre possibilidades de carreiras. Foi assim que conheceu a Contabilidade, com a qual se identificou.

Família

Casada há quase 25 anos, Marta tem dois filhos. “Todos são homens lá em casa”, brinca a Contadora, que completará 50 anos em 2018.

Futuro

Considerando os anos que estão por vir, Marta, que já é empresária há quase 25 anos e gosta muito do que faz, pretende investir no seu negócio. “Há muita coisa na empresa que quero fazer, com visão de futuro. Tenho alguns projetos de inovação nas atividades contábeis que quero colocar em prática. Quero que a experiência da Praesum seja inspiração para o mercado. Já no tocante à minha vida familiar, sinto falta dos meus filhos pequenos, adoro bebês, então espero que meus filhos me tragam netinhos para eu cuidar. Pessoalmente, eu quero rodar o mundo com uma mochila nas costas. Já viajo bastante, mas em função das atividades profissionais e acadêmicas, minhas viagens nunca ultrapassam 10 dias. Quero fazer uma viagem de meses, rodando o mundo”.

 

 

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Texto: Katherine Coutinho
Fotos: Divulgação
Edição: Lenilde De León

De León Comunicações