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17 de março de 2026A Receita Federal do Brasil apresentou, em coletiva realizada no Ministério da Fazenda, as regras do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, consolidando um cenário de maior complexidade, digitalização e exigência técnica para contribuintes e, principalmente, para os profissionais da contabilidade.
Com prazo de entrega entre 23 de março e 29 de maio de 2026, a expectativa é de aproximadamente 44 milhões de declarações, em um ambiente cada vez mais orientado por cruzamento eletrônico de dados, automação e integração de sistemas.
A coletiva contou com a participação do secretário especial da Receita Federal, Robison Sakiyama Barreirinhas, além de autoridades da área técnica e representantes institucionais, incluindo o presidente do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, Joaquim de Alencar Bezerra Filho, reforçando a centralidade da profissão contábil no funcionamento do sistema tributário brasileiro.
Na abertura da coletiva, o secretário especial da Receita Federal, Robison Barreirinhas, chamou atenção para a participação institucional da classe contábil no evento, destacando a presença do presidente do Conselho Federal de Contabilidade. O dirigente ressaltou a importância dessa aproximação como sinal de fortalecimento do diálogo entre o Fisco e os profissionais que atuam diretamente na interface com os contribuintes.
Também integraram esse primeiro momento o subsecretário de Arrecadação, Cadastros e Atendimento, auditor-fiscal Gustavo Andrade Manrique, e o presidente do Serpro, Wilton Itaiguara Gonçalves Mota, reforçando o caráter técnico e estratégico da apresentação. Em outro momento, Barreirinhas enfatizou que a participação conjunta do CFC e do Serpro representa uma mudança relevante na forma de atuação da Receita Federal. Segundo ele, o órgão avança para um modelo mais orientativo, com foco em apoiar contribuintes e empresas antes da ocorrência de irregularidades.
A diretriz está alinhada à Lei Complementar nº 225, que marca a transição de uma postura predominantemente reativa para uma atuação preventiva, baseada na antecipação de inconsistências e no fornecimento de orientações ao contribuinte.
Nesse novo cenário, o secretário destacou que os profissionais da Contabilidade assumem papel central. De acordo com ele, a atuação do contador é essencial para mediar a relação entre o Fisco e a sociedade, contribuindo para a qualidade das informações prestadas e para o fortalecimento da conformidade tributária no país.
Obrigatoriedade ampliada exige análise criteriosa dos profissionais
Um dos pontos mais relevantes apresentados diz respeito à obrigatoriedade de entrega da declaração, que segue baseada em múltiplos critérios e não apenas na renda anual.
Estão obrigados a declarar os contribuintes que, no ano-calendário de 2025:
- Receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584
- Obtiveram rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil
- Apuraram ganho de capital na alienação de bens ou direitos
- Realizaram operações em bolsa com movimentação superior a R$ 40 mil ou com ganhos tributáveis
- Possuíam bens e direitos acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro
- Obtiveram receita bruta da atividade rural superior a R$ 177.920
- Passaram à condição de residentes no Brasil
- Realizaram operações envolvendo ativos no exterior, incluindo rendimentos, lucros, dividendos ou estruturas como trust
- Optaram por isenção de ganho de capital na venda de imóvel com reinvestimento no prazo legal
- Pretendem compensar prejuízos fiscais de exercícios anteriores
A diversidade de critérios exige do contador uma análise detalhada do perfil do contribuinte, evitando omissões e inconsistências que possam resultar em malha fina.
Inclusão de novos elementos amplia escopo da fiscalização
Entre as novidades mais relevantes está a obrigatoriedade de declarar ganhos com apostas de quota fixa – bets – quando superiores a R$ 28.467,20 no ano. Também passam a exigir atenção os saldos mantidos em plataformas de apostas superiores a R$ 5 mil em 31 de dezembro.
Essas mudanças refletem o avanço da Receita Federal no monitoramento de novas formas de renda digital, exigindo atualização constante por parte dos profissionais contábeis.
Declaração pré-preenchida avança, mas não substitui validação técnica
A Receita Federal ampliou o uso da declaração pré-preenchida, com expectativa de adesão superior a 60 por cento dos contribuintes.
O sistema passa a integrar dados de múltiplas fontes, incluindo eSocial, informações bancárias, aplicações financeiras e dados de dependentes.
Apesar do avanço tecnológico, a Receita foi enfática ao destacar que a responsabilidade pela verificação das informações continua sendo do contribuinte.
Para o profissional da Contabilidade, isso reforça a necessidade de conferência documental rigorosa, especialmente diante de possíveis inconsistências entre bases de dados distintas.
Contador como agente de tradução e garantia de integridade
Em sua participação, Joaquim Bezerra destacou que o papel do contador vai além do preenchimento de declarações.
Segundo ele, a contabilidade é responsável por traduzir a complexidade do sistema tributário brasileiro em linguagem acessível à população, garantindo a integridade das informações e contribuindo para a transparência fiscal.
O presidente do CFC ressaltou que erros ou inconsistências podem gerar prejuízos financeiros significativos para o contribuinte, reforçando a importância do acompanhamento técnico especializado. Em sua visão, o período de entrega do Imposto de Renda representa um momento essencial de prestação de contas dos contribuintes ao Estado, no qual a qualidade das informações declaradas impacta diretamente a transparência, o controle e a arrecadação tributária.
Nesse contexto, ele destacou que a atuação do profissional da Contabilidade vai muito além do preenchimento de sistemas. “Trata-se de garantir que os dados apresentados reflitam com precisão a realidade econômica dos contribuintes, assegurando confiabilidade às informações e fortalecendo o controle social sobre a arrecadação”.
Segundo ele, o contador exerce papel central nesse processo, funcionando como elo entre o contribuinte, o Estado e a sociedade, ao assegurar a integridade das informações e contribuir para um ambiente de maior transparência fiscal.
O Brasil conta atualmente com cerca de 540 mil profissionais da Contabilidade distribuídos em todos os municípios, formando uma rede essencial para o funcionamento do sistema tributário.
Riscos fiscais e impactos para contribuintes e empresas
A Receita Federal reforçou que inconsistências na declaração podem resultar em:
- Retenção em malha fina
- Atrasos na restituição
- Necessidade de retificação
- Apresentação de documentação comprobatória
- Possíveis autuações fiscais
Para empresários e sócios de empresas, esses riscos podem impactar diretamente o planejamento financeiro, a governança e a credibilidade junto ao mercado.
Restituições antecipadas e novos mecanismos de devolução
Outro destaque é a previsão de pagamento de restituições em quatro lotes, com expectativa de que 80 por cento dos contribuintes recebam valores até o final de junho.
Além disso, a Receita implementará um lote especial de restituição automática – chamado de cashback – destinado a contribuintes não obrigados a declarar, mas com valores a receber.
A medida deve beneficiar cerca de 4 milhões de pessoas, com valores médios de R$ 125 e limite de até R$ 1 mil.
Segurança digital e responsabilidade no uso do Gov.br
A Receita também alertou para riscos relacionados ao uso indevido de credenciais de acesso, especialmente no ambiente Gov.br.
O compartilhamento de senhas entre contribuintes e terceiros continua sendo prática recorrente, mas representa risco elevado de fraude e responsabilização.
A orientação é priorizar o uso de procurações digitais e autorizações formais de acesso.
Capacitação e aproximação com a sociedade
Como parte da estratégia de orientação, a Receita Federal e entidades contábeis anunciaram a realização de lives temáticas sobre o Imposto de Renda.
Além disso, no dia 10 de abril será realizado o Dia D Declare Certo, com atendimento presencial à população em diversos pontos do país.
A iniciativa reforça o papel social da contabilidade e aproxima o profissional do contribuinte, promovendo educação fiscal e prevenção de erros.
Contabilidade como pilar da transparência e do desenvolvimento
O cenário apresentado para o IRPF 2026 confirma uma tendência irreversível: a contabilidade deixa de ser apenas operacional e assume papel estratégico na gestão de informações, na prevenção de riscos e na construção da transparência fiscal.
Para os profissionais da área, o momento exige atualização constante, domínio tecnológico e capacidade de interpretação normativa.
Para o país, reforça-se a importância de uma contabilidade forte, atuante e integrada ao desenvolvimento econômico e à justiça fiscal.
Texto: Danielle Ruas, com informações da Receita Federal e do Conselho Federal de Contabilidade – CFC.
Edição: Lenilde Plá de León.
De León Comunicações.




