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18 de fevereiro de 2026No centro de um cenário de mudanças e desafios, o Conselho Federal de Contabilidade-CFC, elegeu uma nova Diretoria, que será comandada pelo contador piauiense, Joaquim de Alencar Bezerra Filho, que pretende reposicionar as ações do órgão máximo da classe, no ano em que este completa 80 anos de instituição, que ocorreu em 1946, preparando os 540 mil profissionais atuantes hoje no Brasil, para as demandas esta e das próximas décadas.
O contador Joaquim de Alencar Bezerra Filho que presidirá o Conselho Federal de Contabilidade-CFC do dia 05 de janeiro de 2026, ao dia 31 de dezembro de 2027, possui 23 anos de experiência nas áreas de Contabilidade, Auditoria Governamental, Controladoria, Governança e Gestão Estratégica. Atua como consultor empresarial e governamental, além de palestrante, escritor e professor universitário. No CFC desde 2010, ocupou cargos estratégicos como a vice-presidente de Política Institucional, Operacional e de Governança e Gestão Estratégica. Joaquim Bezerra é acadêmico da Academia Paulista de Contabilidade-APC; da Academia Piauiense de Ciências Contábeis-Apicicon, onde chegou à presidência; e da Academia Brasileira de Ciências Contábeis-Abracicon; e também representou o Brasil na Associação Interamericana de Contabilidade-AIC por uma década.
O novo presidente do CFC será amparado por uma Diretoria diversificada, experiente e aguerrida, composta por representantes de todo o Brasil, inclusive São Paulo, disponibilizou os contadores: João Carlos Castilho Garcia, presidente do CRCSP, na gestão 2024-2025, que atuará como vice-presidente Técnico; e Marcelo Roberto Monello, que já foi vice-presidente do Conselho Paulista, e será conselheiro suplente do Federal.
Nesta entrevista exclusiva ao Mensário do Contabilista, Joaquim Bezerra mantém uma conversa franca, que convida o leitor a refletir sobre o presente – e, sobretudo, o futuro da profissão contábil. Confira:
O que significa para você presidir o CFC neste momento da economia nacional?
Assumir a presidência do Conselho Federal de Contabilidade-CFC, neste momento, representa um grande senso de responsabilidade e uma missão histórica – guiar a profissão contábil em um período de intensas transformações econômicas, regulatórias e tecnológicas.
Vivemos em um ambiente em que decisões econômicas, previsibilidade institucional, governança e sustentabilidade determinam informações contábeis e cada vez mais compromissos. A Contabilidade torna-se, assim, um elemento central para o funcionamento do Estado, das empresas e do mercado.
Para mim, esta Presidência simbolizou duas questões simultâneas: o serviço à profissão, respeitando a sua trajetória, e a preparação para um novo ciclo, pautado pelo reposicionamento estratégico, inovação, governança e reconhecimento global.
O que fazer para ampliar ainda mais a projeção do CFC no seu ano de 80 anos?
Os 80 anos do CFC são um marco simbólico e estratégico. Não se trata apenas de comemorar o passado, mas de reposicionar o Sistema CFC/CRCs para os próximos 80 anos.
Nosso direcionamento é baseado em três movimentos: o fortalecimento profissional, com educação continuada modernizada e formação em áreas como governança, sustentabilidade, auditoria, perícia, mercado financeiro e setor público; o reposicionamento da profissão, ampliando sua atratividade, visibilidade institucional e reconhecimento social; e o alinhamento internacional, por meio de diplomacia institucional e cooperação acadêmica e regulatória.
É uma celebração que olha para a frente e reafirma a Contabilidade como pilar do desenvolvimento nacional.
Como vencer os entraves da reforma tributária?
A reforma tributária exige transição, interoperabilidade e interpretação técnica. É um processo complexo, que será vencido por quem tiver visão integrada, e não apenas conhecimento específico.
O Sistema CFC/CRCs atuará em três frentes: preparação da aula, diálogo institucional e promoção da segurança jurídica e da previsibilidade, sempre preservando a norma contábil brasileira.
Esse cenário eleva o contador a um novo patamar: o agente de transição, interpretação e técnica de segurança do novo modelo tributário.
O profissional contábil está preparado para esse desafio?
Os profissionais da Contabilidade no Brasil são técnicos bem preparados. O desafio, agora, é sistêmico. Temos mais de 540 mil profissionais participantes em todo o País, mas a reforma exige novas competências, como interoperabilidade tecnológica, análise de impactos econômicos, modelagem de cenários e liderança, além de um olhar atento para governança e compliance.
O papel do CFC é transformar competência em protagonismo, por meio da educação continuada. A Contabilidade sempre traduziu a complexidade – agora, fará isso em larga escala.
E os pequenos empresários estão preparados para as mudanças?
A maioria ainda não está, e isso não é um problema, mas uma grande oportunidade. A reforma tributária impactará diretamente no fluxo de caixa, preços, margens, logística e modelos de negócios.
Quem fizer essa tradução será o contador. As micro e pequenas empresas precisarão ainda mais de orientação, educação e previsibilidade.
Por isso, defendemos a Contabilidade como uma aliança estratégica para o desenvolvimento econômico, especialmente para o pequeno e médio empresário.
Como será sua atuação junto ao Congresso, Fazenda e Receita Federal?
Atuaremos com diplomacia institucional, diálogo técnico e firmeza estratégica, em três dimensões: técnica, política e institucional.
No campo técnico, vamos contribuir para normas, transições e soluções. No político, dialogar com o Congresso, o Governo e a Receita para ajustes, regulamentação e interoperabilidade dos sistemas. E, institucionalmente, vamos defender a classe, a segurança jurídica e a valorização da ciência contábil.
Não se trata de corporativismo, mas de defesa do interesse público – porque quando a Contabilidade funciona, o País funciona melhor.
Como será o alinhamento com as normas internacionais, especialmente em sustentabilidade?
Esse será um dos pilares da gestão. O Brasil já adota padrões globais como o ISSB, o que exige mensuração, comparabilidade, asseguração, auditorias e governança.
Sustentabilidade sem Contabilidade vira discurso; com Contabilidade, transforma-se em decisão econômica, influenciando acesso a crédito, avaliação, investimentos ESG, riscos climáticos e governança corporativa.
O CFC apoiará a formação técnica, a capacitação para garantia, a consolidação de relatórios e a internacionalização da ciência contábil.
Em sua gestão, como será a relação com as entidades de São Paulo, em especial, com o Sindcont-SP?
Minha relação com São Paulo é institucional, histórica e fraterna. O Estado tem papel central na profissão, tanto pela economia quanto pelo ecossistema institucional que reúne entidades como: Sindcont-SP, Sescon-SP, CRCSP, APC, Ibracon e Apejesp e outras.
A Presidência do CFC não enfraquece essa relação; ao contrário, requalifica, aproxima e integra. Para reposicionar a Contabilidade globalmente, precisamos de força institucional – e São Paulo é parte essencial dessa construção.
Que mensagem o senhor deixaria aos profissionais da Contabilidade paulista?
Minha mensagem é de esperança, propósito e consciência de protagonismo. A Contabilidade vive um chamado histórico para liderar a transição tributária, a agenda de sustentabilidade, a governança institucional e o desenvolvimento econômico do País.
Estamos entrando em um novo ciclo, em que conhecimento técnico, ética, capacidade de diálogo e visão sistêmica tornam-se diferenciais. Veja a Contabilidade como uma aliança estratégica para o desenvolvimento do Brasil – e trabalhei para que o CFC esteja à altura desse papel.
LEIA ESTA E OUTRAS MATÉRIAS DO SEU INTERESSE NO MENSÁRIO DO CONTABILISTA DE OUTUBRO. ACESSE: https://www.sindcontsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Mensario-do-Contabilista-02-2026.pdf




