
Transação tributária (PGFN/RFB) e agenda dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS 2030
20 de maio de 2026
Já aprovada na Câmara, a Escala 6×1 é analisada por especialistas e lideranças contábeis nesta edição
2 de junho de 2026Junho chega sempre carregado de simbolismos, mas para a classe contábil ele traz um peso particular: é o mês em que o calendário nos lembra que, enquanto o País se prepara para a Copa do Mundo de futebol e as ruas começam a ganhar bandeirinhas e cores, nós seguimos em um ritmo intenso, marcado por prazos, entregas e responsabilidades que não admitem descanso.
Em um ano em que o impacto da Copa sobre o trabalho não será tão profundo quanto em edições anteriores, afinal, os jogos ocorrerão majoritariamente em horários que não paralisam o País, ainda assim sentimos a movimentação no ar, a expectativa coletiva, a energia que sempre acompanha o futebol.
Mas, para muitos profissionais que trabalham em escala 6×1, com jornadas que se estendem para além do horário comercial, essa atmosfera festiva convive com a realidade de um período crítico para a Contabilidade brasileira.
É justamente em junho que se encerra mais um ciclo da Escrituração Contábil Digital, com prazo final em 30 de junho, e se inicia imediatamente a preparação para a ECF, cuja entrega se aproxima rapidamente, em 31 de julho. Não há intervalo entre uma etapa e outra; há, sim, a consciência de que cada obrigação acessória representa um compromisso com a transparência, a conformidade e a integridade das informações que movimentam a economia do País.
A ECD, que finalizamos agora, é mais do que um arquivo transmitido ao SPED. Ela é o espelho da vida contábil das organizações, o registro fiel de um ano inteiro de operações, decisões e desafios. Cada lançamento, cada conciliação, cada ajuste representa horas de trabalho técnico, estudo e responsabilidade. Para muitos, a sociedade enxerga apenas o prazo; para nós, o prazo é apenas a última etapa de um processo longo, minucioso e essencial.
Encerrar a ECD é, de certa forma, fechar um capítulo. Mas, como sabemos, esse fechamento não traz descanso: ele abre imediatamente a porta para o próximo desafio. A ECF exige ainda mais profundidade.
Se a ECD registra, a ECF interpreta. Se a ECD organiza, a ECF cruza, analisa e revela. É nela que se consolidam informações fiscais, contábeis e societárias, exigindo coerência absoluta entre dados, sistemas e declarações. É um trabalho que não permite improvisos, que demanda planejamento e que, muitas vezes, recai sobre equipes reduzidas, sobrecarregadas e submetidas a uma rotina que se aproxima de um ciclo contínuo, sem pausas.
A escala 6×1, tão comum em muitos escritórios e departamentos, evidencia a necessidade urgente de valorização profissional, de reconhecimento e de condições mais equilibradas para que o contador possa exercer seu papel com excelência, sem sacrificar sua saúde e sua vida pessoal.
E, enquanto lidamos com esse cenário exigente, o País se prepara para torcer. A Copa do Mundo sempre desperta emoções, conversas e expectativas, mas neste ano ela chega com um impacto mais moderado na rotina de trabalho.
Não teremos paralisações generalizadas, nem feriados improvisados, nem aquela sensação de que tudo para quando a bola rola. Ainda assim, a Copa nos lembra que somos parte de uma coletividade que celebra, que vibra e que encontra no esporte um ponto de união. E talvez essa seja a metáfora mais adequada para este momento da Contabilidade: assim como no futebol, nosso trabalho exige estratégia, precisão, preparo e, acima de tudo, espírito de equipe.
É nesse espírito que, no dia 10 de junho, o Sindcont-SP abre suas portas para celebrar a tradicional “Festa Junina”, um momento que vai além da confraternização. É um lembrete de que, apesar da pressão dos prazos e da intensidade do trabalho, somos uma categoria que se fortalece na união, na troca de experiências e no sentimento de pertencimento.
As festas juninas, com sua música, suas cores e seus sabores, representam a cultura da coletividade, da partilha e da alegria simples, valores que também sustentam a vida associativa e a identidade da nossa profissão. Em meio ao turbilhão de obrigações, esse encontro se torna uma pausa necessária, um convite para respirar, reencontrar colegas, renovar energias e lembrar que a contabilidade é feita por pessoas, e não apenas por sistemas, números e transmissões.
Junho, portanto, se apresenta como um mês paradoxal: ao mesmo tempo em que exige o máximo de nós, também nos oferece a oportunidade de refletir sobre o caminho percorrido e sobre o que ainda está por vir. É o momento de reconhecer o esforço coletivo que permitiu concluir a ECD, de organizar as estratégias para enfrentar a ECF, de ajustar a rotina para conciliar trabalho e Copa, e de reafirmar a importância de lutar por melhores condições de trabalho.
É também o momento de celebrar, porque celebrar é parte da resistência; é parte da força que nos mantém firmes diante de um calendário que não perdoa atrasos.
José Roberto Soares dos Anjos
Presidente do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo-Sindcont-SP
Gestão 2026-2028




