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19 de setembro de 2026Por Tiago Françoso, contador, consultor tributário e especialista em Reforma Tributária sobre o Consumo
A Reforma Tributária do Consumo não acaba com o Simples Nacional, mas introduz mudanças que exigirão das empresas e dos profissionais da Contabilidade uma análise muito mais ampla do que simplesmente comparar alíquotas. A escolha do regime poderá impactar preço, margem, geração de créditos, fluxo de caixa e competitividade.
Com a substituição gradual de PIS, Cofins, ICMS e ISS pela CBS e pelo IBS, o novo modelo traz a não cumulatividade como um de seus pilares. Na prática, o imposto pago ao longo da cadeia passa a gerar crédito para o adquirente, alterando também a relação comercial entre fornecedores e clientes, especialmente nas operações entre empresas.
Simples Nacional: dois caminhos possíveis
Uma das principais novidades é a possibilidade de o optante pelo Simples Nacional escolher como tratar IBS e CBS. A empresa poderá permanecer no chamado Simples puro, mantendo esses tributos dentro do DAS, ou optar pelo regime regular, chamado na apresentação de modelo “híbrido”, no qual IBS e CBS são apurados e recolhidos pelas regras do regime regular.
A diferença vai além da forma de recolhimento. No Simples puro, a operação continua mais simples, mas o crédito gerado para clientes PJ é limitado e a empresa não se credita nas aquisições. No modelo híbrido, há maior possibilidade de aproveitamento e transferência de créditos, porém com maior complexidade operacional e uma carga tributária que pode ser superior.
Isso torna insuficiente perguntar apenas “qual regime paga menos imposto?”. Segundo o material, a questão central passa a ser qual modelo preserva margem e lucro e mantém a empresa competitiva. Entre as variáveis que precisam ser consideradas estão o perfil dos clientes, fornecedores, compras, margem, estrutura financeira, compliance e eventuais regimes diferenciados.
Crédito tributário entra na negociação comercial
Para empresas que vendem para outras pessoas jurídicas, o crédito de IBS e CBS tende a ganhar importância na decisão de compra. O cliente poderá avaliar não somente o preço cobrado, mas também quanto de crédito aquela aquisição permitirá aproveitar.
Isso pode colocar empresas do Simples diante de novas pressões comerciais. Permanecer no regime puro pode significar oferecer menos crédito ao cliente; migrar para o híbrido, por outro lado, pode elevar o desembolso no preço final, dependendo da estratégia adotada.
As simulações apresentadas por Tiago Françoso mostram justamente que não existe uma única resposta. Um mesmo modelo híbrido pode produzir resultados bastante diferentes dependendo da estratégia de precificação adotada, preservar receita líquida, manter o preço final, preservar o lucro ou manter o preço de venda atual como valor econômico.
E há um ponto especialmente relevante: pagar mais tributos não significa necessariamente lucrar menos. O resultado final depende da relação entre receita líquida, custos, despesas e estratégia de preço.
2026 é o ano da preparação
Embora o Simples Nacional não tenha apuração de teste de IBS e CBS em 2026 e continue recolhendo pelo DAS, o período deve ser utilizado para estudar as novas regras, realizar simulações e avaliar os impactos sobre cada negócio.
O material chama atenção especialmente para setembro de 2026, quando está prevista a janela para determinadas opções com efeitos no primeiro semestre de 2027. A decisão exige planejamento, já que a escolha pelo regime regular pode continuar nos períodos seguintes e, em determinadas situações envolvendo ressarcimento de créditos, gerar compromisso de permanência.
Além disso, a Reforma traz outros pontos que merecem atenção das empresas do Simples, como mudanças na composição da receita bruta, faturamento vinculado à emissão do documento fiscal, sublimites para o IBS, crédito ao adquirente, split payment e novas rotinas de apuração.
Nesse cenário, o papel do profissional da Contabilidade se torna ainda mais estratégico. Será necessário simular cenários, conhecer a cadeia de clientes e fornecedores, avaliar créditos, rever precificação, preparar sistemas e orientar empresários antes da tomada de decisão.
Como sintetiza a apresentação:
A Reforma não acaba com o Simples. Ela exige decisão.
E quanto mais cedo empresas e profissionais começarem a trabalhar com dados e simulações, maior será a capacidade de escolher o caminho adequado para 2027.
Sobre o autor
Tiago Françoso é contador e consultor tributário, bacharel em Ciências Contábeis pela Fundação Santo André, sócio e administrador da ADC TEC Assessoria Contábil desde 2011 e especialista em Reforma Tributária sobre o Consumo. Atua também como consultor e palestrante.
Quer se aprofundar no tema e conferir as simulações, comparativos e orientações práticas?




