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23 de abril de 2026Estudo da Deloitte aponta avanço relevante do mercado de NPL e reforça impactos em provisões, precificação e planejamento tributário
O mercado de cessão de créditos não performados, conhecidos como NPL, deve registrar crescimento de 73% em 2026, com volume estimado em R$ 52,3 bilhões, segundo estudo da Deloitte. O movimento dá continuidade ao ciclo de expansão observado desde o pós-pandemia e impõe novos desafios técnicos para empresas e profissionais da contabilidade.
“O Sistema Financeiro Nacional ultrapassou R$ 7 trilhões em carteira de crédito, evidenciando a resiliência do setor e reforçando a necessidade de gestão ativa de portfólios para mitigação de riscos”, afirma Ricardo Marin, sócio da Deloitte.
Precificação e provisões no centro das decisões
O estudo indica maior maturidade no planejamento das cessões, com aderência entre volumes projetados e realizados. Ainda assim, 51% das empresas não concluíram operações devido ao desalinhamento entre preço esperado e valor ofertado.
Esse dado reforça a centralidade da avaliação técnica das carteiras, especialmente no que diz respeito à compatibilidade entre preço de mercado e provisões para devedores duvidosos.
“Uma melhor estruturação dos processos e maior previsibilidade podem mitigar esse desalinhamento. O uso de mecanismos como earn out ainda é pouco explorado”, explica Marin.
Pressão sobre recuperação de crédito
Entre os principais desafios operacionais, destacam-se o elevado nível de endividamento dos devedores, a dificuldade de adequação da capacidade de pagamento e o impacto das taxas de juros.
Além disso, observa-se menor disposição dos clientes para negociação, o que impacta diretamente os índices de recuperação e, consequentemente, as estimativas contábeis associadas às carteiras.
Outro ponto relevante é a resistência de investidores à aquisição de créditos com atraso superior a cinco anos, fator que influencia a liquidez desses ativos no mercado secundário.
Impactos regulatórios e fiscais no planejamento
As mudanças regulatórias ainda não alteraram significativamente o volume de cessões, mas já influenciam o planejamento das empresas.
A Resolução 4966 passa a impactar decisões relacionadas à gestão de crédito e provisões, enquanto a Lei 14.467 já foi incorporada por 81% das empresas no planejamento de 2026, especialmente no que se refere à dedução de perdas.
“Parte das instituições já avalia ajustes de volume diante da incompatibilidade entre preço de mercado e provisões, o que pode gerar perdas adicionais”, afirma Marin.
Aumento da complexidade exige atuação estratégica da contabilidade
O avanço do mercado de NPL ocorre em paralelo ao aumento da complexidade na gestão de crédito. A ampliação da base de ativos cedidos, a entrada de novos setores e a maior competição entre investidores elevam o nível de exigência sobre dados, processos e governança.
Nesse contexto, a atuação contábil se torna determinante, especialmente na avaliação de riscos, na mensuração de perdas, na estruturação das operações e na análise de impactos fiscais.
A tendência é de que a cessão de créditos deixe de ser uma medida pontual e passe a integrar de forma permanente a estratégia financeira das empresas, exigindo maior integração entre áreas contábil, financeira e de gestão de risco.




